sexta-feira, 4 de setembro de 2009

SUBSTITUIÇÃO


Separados no nascimento: Sai Ronald, filho do nosso querido ex-artilheiro, ex-gordo Ronaldo, entra Tevez, ex-corinthiano, sempre argentino!












quarta-feira, 2 de setembro de 2009

BOLADONA


Eu nunca pensei em torcer por time nenhum que não o meu Vascão. Até gosto de assistir aos outros clubes se enfrentando: é um tal de comemorar frango, gol contra, rebaixamento; diversão garantida. Mas algum tempo atrás, um estranho fenômeno começou a me intrigar.

Ronaldo, em uma fase muito ruim profissional, pública e pessoalmente, assinou contrato com o Corinthians. A marchinha de carnaval do Silvio Santos passou a tocar com mais e mais frequência na minha cabeça. Me peguei algumas vezes assobiando "Doutor, eu não me engano..." enquanto varria a casa ou lixava as unhas. Até cogitei fazê-lo, mas não cheguei a consultar um médico; meu último eletrocardiograma confirma que meus batimentos cardíacos ainda entoam o hino à Cruz de Malta. Mas então, por que eu vibrava escondida a cada gol do craque com a camisa do time paulista?

Para me consolar, tentei acreditar que esse meu novo e embaraçoso sentimento fosse simples pena. É sempre triste assistir à decadência de um ícone. É devastador ver alguém tão poderoso e querido ser alvo de deboche, ridicularização na mídia, ser vítima de escândalos e humilhação pública.

Mas não. Digito essas palavras, mas meus dedos mentem. Não sinto meus olhos mareando. Meu queixinho não treme involuntariamente. Definitivamente, não sofro de compaixão por Ronaldo.

Então por que, meu Deus? Por que prendo a respiração sempre que ele chega à pequena área com a bola no pé? Por que sufoco meu grito de gol quando ele faz a rede do adversário balançar? Por que acordo suando à noite depois daquele pesadelo em que estou vestida com o uniforme do Timão? Seria castigo? Mandinga de flamenguista? Macumba de ex namorado? Estaria eu virando... Corintiana?!!

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Então chegou a mim a notícia de que o craque teria passado por uma lipoaspiração; aí a ficha caiu.

Lembrei-me de seus flancos de gordura balançando enquanto ele corria, ensopado, pelo campo. Lembrei-me da camisa arrochada ao corpo roliço, aquela mesma que eu desfilava em meus sonhos. Lembrei-me de seus três queixos que, esses sim, tremiam durante uma entrevista exclusiva ao fantástico (em que ele justificava, arrependido, os últimos acontecimentos envolvendo travestis, crianças e animais).

Aí experimentei pela primeira vez em muito tempo a sensação de alívio. Eu não estava virando corintiana. Claro que não. Além dessa enxurrada de lembranças já descritas acima, recordei uma frase do Veríssimo que define como meu sentimento de compaixão funciona em sua plenitude. Tomo a liberdade de adaptá-la para explicar minha falta de pena por suas crises pessoais e o aparente amor súbito por Ronaldo: Eu só sou solidária no peso.